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Publicado Afotorm - 27/04/2015
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"morrer se preciso for, matar jamais"... Cândido Mariano da Silva Rondon |
No próximo dia 5 de maio, Cândido Mariano da Silva Rondon completaria 150 anos. Como filho de criação de Rondonópolis, uma das cidades que homenageia Rondon com o nome, não poderia ficar de fora de uma singela homenagem a um homem forte e destemido, conhecido mundialmente com sua frase antológica: "morrer se preciso for, matar jamais". Peça fundamental para evolução da nossa região centro-amazônica.
Rondon dedicou mais de cinco décadas de sua vida esquadrinhando o Norte e o Centro-Oeste do Brasil, estendendo suas linhas telegráficas, ao mesmo tempo pesquisou a geografia brasileira em toda sua grandeza, Rondon foi o positivista mais conhecido no Brasil.
Um pantaneiro, de sangue índio, demarcou as primeiras reservas indígenas do país além de ligar as primeiras linhas telegráficas dessa região, Rondon, sobretudo introduziu os primeiros povos indígenas à sociedade brasileira.
O Rondon de uma Rondônia, Rondônia deve a Rondon à sua própria existência, o único estado do Brasil com o nome em homenagem a um herói nacional, por toda vida como declara o atual governador de Rondônia Confúcio Moura: "Rondônia é o próprio Rondon". É impossível pisar naquela terra, que já foi território do Mato Grosso e não lembrar do patrono das comunicações.
Há dois anos, em uma expedição de trabalho pelas terras pantaneiras, encontro pela primeira vez a terra de Rondon, o distrito de Mimoso, localizado no município de Santo Antônio do Leverger (centro-sul). Antes de conhecer o lugar, já era admirador e intenso observador da história desse sertanista que tanto fez pelo Brasil.
No momento que pude conversar com uma de suas descendentes que ainda morava na região, percebi que por toda eternidade estaremos ligados a história desse Marechal valente, me sinto orgulhoso por ter tanta estima e carinho por tudo que ali encontrava.
Pude encontrar a Escola Estadual Santa Claudina, em frente ao Memorial inacabado, foi obra de Rondon na década de 1940. É o local com mais objetos e características do militar. A começar pelo nome da instituição, que é uma homenagem à sua mãe, Claudina de Freitas Evangelista da Silva. Os restos mortais dela, que faleceu quando Rondon ainda era bebê, estão em um jazigo na entrada da escola.
No fundo do Santa Claudina há mais um legado do Marechal: uma árvore plantada por ele na época da inauguração da escola. "Sempre foi dito que era da espécie pau brasil, mas especialistas não conseguiram confirmar se isso é verdade". Alta e imponente, a planta faz vigília sobre Mimoso, como se fosse o próprio Marechal Rondon olhando pela população que tanto tem orgulho e relembra os seus feitos
Hoje, olhando para Rondonópolis, percebo o quanto o município deve ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. O astucio militar traçou estradas, indicou os principais locais geográficos do Brasil, entre eles definiu Rondonópolis como ponto de convergência e de irradiação em termos de comunicação. Quando vinha a Rondonópolis, Rondon se hospedava, onde é hoje o Parque das Águas/Casario, exatamente onde é o memorial Marechal Rondon.
Rondonópolis, pode não ter tantos pontos turísticos como os outros municípios do nosso estado, mas, foi pelas mãos de Rondon que ela se tornou "A cidade dos negócios do Mato Grosso". Não é à toa que aqui se encontram as duas rodovias que dão acesso ao norte do Brasil. Tenho orgulho de ser morador de uma das pérolas de Rondon. Uma Rondonópolis de um Rondon, que hoje tem vivido uma de suas melhores fases econômicas.
Um Brasil que deve muito a Rondon: homem humilde, bondoso, inteligente e desbravador que nos sabores de sua identidade lutou e amou todos à sua volta. Quando começo descobrir histórias, lendas e hiatos desse desbravador, me emociono e imagino o quanto ele acreditava nessa terra, que naquela época muitos nem sabia que existia.
O Pai dos povos indígenas no Brasil, um homem idealista, o pioneiro pitoresco, o amigo de Theodoro Roosevelt, o indicado ao prêmio Nobel da Paz, o nosso patrono. Toda vez que ando pela região de Mato Grosso e Rondônia, caminho firme, do "Oiapoque ao Chuí", nos caminhos de Rondon.
Por/ Renan Caldas é jornalistas e estudante de direito em Rondonópolis
Fonte: A Tribuna do Mato Grossso-Digital
